quarta-feira, 18 de março de 2009

Assassinato no tabuleiro de xadrez

Como em um instante passou pela porta lateral, por três lances de escada
Alcançou o seu andar, estava lá sentado em frente ao tabuleiro
Não sentia fome, nem sede, nem seus pés, nem nada
Estava apenas lá, por inteiro
Quando a dama negra surge por detrás do cavalo e cruza todos os quadrados
E a torre desaba
E nos azulejos soa o sangue ralo
E o rei fraqueja, tomba e cai
Morte em E1

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

parte 1

Parou atrás dos carros, olhou no relógio e era 18:17, quarta-feira. Estava no rush, como sempre pegava, naquela rua estreita de duas faixas, no centro da cidade, sentido bairro. Olhou para os lados, carros, gente nas ruas, olhou para o céu, era escuro mas o tom cinzento predominante daquela cidade ainda persistia. No rádio nada que prestava, dos seus discos estava cansado, então só restava esperar. Nos abres e fecha dos sinaleiros a frente um pouco de ação. Repensava o que devia fazer no dia seguinte, o que queria fazer naquela noite, no fim de semana. Mal se notava que o tempo tinha passado, já estava pensando em outra coisa, futebol, xampu ou um novo carro que lançaram no mercado. Mais um ciclo do sinaleiro, mas um pouco de ação.

Era um cara normal, ou medíocre como costuva dizer. Tinha 27 anos, um emprego, uma esposa, um apartamento próprio, um carro de sete anos. Não tinha filhos, dinheiro no banco, dívidas ou aventuras no currículo. Não era de se arriscar. Não que fosse do tipo de desencorajar os outros, mas não via em si, coragem para um grande desafio. Era pequeno, normal, medíocre. Não tinha vivido mais do que o necessário para se considerar adulto, nem menos para saber como lidar com o inesperado.

Mais um ciclo no sinaleiro, mais uma ridícula porção de ação. Faltavam duas quadras para a esquina do posto, onde os carros finalmente se dispersavam, e se podia pisar no acelerador. Bastaria de embreagem e inclinação da rua. Abaixou o vidro elétrico e sentiu imediatamente o cheiro do final de tarde de uma cidade quase grande. Claro que não é preciso descrever esse cheiro, como muita coisa aqui não é preciso descrever. Só basta a menção, para que se possa compreender como aquele dia era normal e corriqueiro, medíocre. Mais um ciclo de sinais, e ele parou na esquina, falta pouco agora - ele pensou. Via os carros da esquerda para direita, pessoas entretetidas na sua viagem, no seu pensamento, eram outros ele. Outras vidas mas a mesma casca, por fora eram todos iguais.

Havia dois anos e alguns meses que tinha casado. Mais alguns meses, três anos que vivia no norte da cidade com sua esposa. Juntaram todo seu dinheiro e com a ajuda dos pais compraram um apartamento de um quarto. Pagavam desde então, todos os meses, o empréstimo. Não se preocupavam muito. Aquele pagamento era simbólico, só seriva para que achassem que não estavam vivendo de favor. Estranho se sentir estranho em sua casa. De fato, relutavam ainda de chamar de lar.

O sinal abriu, percorreu mais um pouco, quando parou estava a apenas dois carros da liberdade. Começou naquele instante a respirar. Ligou o som, preparando-se para seu vôo, para pisar o mais fundo que velocidade máxima permitida deixasse, e num momento de selvageria sentir-se finalmente vivo. A agressividade tola das cidades já o havia contaminado. O tempo agora acelerava, e já mais rápido o sinal abriu novamente, subiu o giro do motor, mas não pode prosseguir. Algum motorista parou no cruzamento e impediu sua fila de andar. Imediatemente as buzinas começaram a agravar o ocorrido, aquela sensação de selvageria tomou agora outro tom. Os carros atrás começavam a trocar de fila, impedidindo que ele fizesse o mesmo. Bem na sua vez. E quando o carro desobstruiu a via, já era tarde. Ele estava no sinal vermelho. O primeiro da fila dos injustiçados.

Abaixou mais o vidro, desligou a música. Mas não era apenas ela que abaixava. Tudo parava, o tempo suspenso como em corda bamba, no momento do último passo. De repente sentiu um vulto na sua janela, quando olhou só viu os braços deixando uma trouxa cair no seu colo. Sentiu o peso, sentiu medo, sentiu pânico. Não sabia se olhava para quem deixava a trouxa, ou para a própria trouxa. Mas já era tarde, aquele alguém fugira, dobrara a esquina. E então foi acordado pelas buzinas, o tempo voltava a passar. Olhou para aquela trouxa, sentiu aquele peso, atônito não pensou em outra coisa senão relevar o que estava mergulhado naquele pano, foi desfolhando e com uma surpresa estranha descobriu uma criança recém-nascida.

normalmente

Normalmente se encaixava em qualquer coisa medíocre
em poucos momentos apenas, tão lógicos e plausíveis
se encaixava ora na lama ora no céu
claro que esse céu era só seu, e as pessoas ao seu redor não o viam
apenas viviam com sua mediocridade,
como ele, normalmente

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

café #1

zero o cheiro de talco de minhas mãos
com cheiro de café e
humm gole desce e alegra e
pronto

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

tomorrow never knows

Turn off your mind, relax
and float down stream
It is not dying, It is not dying

Lay down all thought
Surrender to the void
It is shining, It is shining

That you may see
The meaning of within
It is being, It is being

That love is all
And love is everyone
It is knowing, It is knowing

That ignorance and hate
May mourn the dead
It is believing, It is believing

But listen to the
color of your dreams
It is not living, It is not living

Or play the game
existence to the end
Of the beginning, Of the beginning
Of the beginning, Of the beginning
Of the beginning, Of the beginning

Desligue sua mente, relaxe
E flutue correnteza abaixo
Não é estar morrendo, não é estar morrendo

Descanse todos os pensamentos
Se entregue ao vazio
É estar brilhando, é estar brilhando

Contudo você pode ver o significado de interiorizar
É estar existindo, é estar existindo

Amor é tudo e amor é todos
É estar sabendo, é estar sabendo

E ignorância e ódio velam os mortos
É estar acreditando, é estar acreditando

Mas ouça a cor de seus sonhos
Não é estar partindo, não é estar partindo

Então jogue o jogo da "Existência" até ao fim
Do começo, do começo
Do começo, do começo

terça-feira, 26 de agosto de 2008

busca

Mais uma vez deu de cara com a sala vazia,
perambulou em busca de alguma coisa deixada para tráz
mas não havia nada e ele recusando-se ir embora
queria mesmo era achar alguma coisa
então sentou-se no chão
continuava sua busca, agora interior
de alguma evidência
de qualquer coisa

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

verde é a cor

Heavy hung the canopy blue
Shade my eyes and I can see you
White is the light that shines
Thru the dress you wore
She lay in the shadow of a wave
Hazy were the visions over played
Sunlight in her eyes
But moonshine made her cry ev'ry time
Green is the colour of her kind
Quickness of the eye decieves the mind
Envy is the bond between
The hopeful and the damned

O peso pendurava o dossel azul
Sombreia meus olhos e posso te ver
Branca é a luz que brilhava
Através do vestido que você usava
Ela se deitou nas sombras de uma onda
Enevoadas eram as visões exageradas
Luz do sol nos olhos dela,
mas a luz da lua a fazia chorar toda vez
Verde é a cor do tipo dela
Rapidez dos olhos engana a mente
Inveja é o laço entre
O esperançoso e o maldito